Fui ao mercado e lá encontrei na fila do caixa rápido um brasileiro com cidadania francesa. Apesar do nome, o caixa rápido está sempre cheio e graças a esta manifestação de brasilidade lerda, eu pude conversar com o mais um dos meus, um brasileiro de nascimento, mas não de alma.
O rapaz tem cidadania francesa porque possui o pé na Europa. Disse que morou na França onde o irmão mora até hoje, mas voltou ao Brasil para ficar com a mãe. Ele contou que certa vez viajou com um amigo e iam para Holanda e outros países da Europa, desembarcando em Londres. Chegou no aeroporto e viu uma fila enorme de brasileiros esperando para ter seu passaporte aprovado. Ele como possui o passaporte europeu pela cidadania francesa, disse que passou direto, e recebeu autorização em menos de cinco minutos. Já o amigo dele teve que passar pela fila e vivenciar uma série de restrições sobre o tempo que ficaria em Londres.
Este rapaz me incentivou, disse que se eu posso, devo fazer de tudo para conseguir uma cidadania européia e viajar com passaporte europeu. Pela Europa eu viajo sem problemas tento um passaporte pertencente a CE, disse ele.
Trocamos motivação e disse a ele, que levasse a mãe dele o mais rápido possível para viver na França, já que a tendência é que o Brasil fique cheio de sub-cultura e violência. Ele concordou comigo e disse que eu também merecia sair do Brasil.
Este rapaz não tem orkut, não faz parte do perseguido grupo anti Brasil. Ele é mais um que se enquadra no grupo dos que vivem na contra mão do jeitinho e certifica que não somos implicantes capitalistas do mau, somos apenas pessoas conscientes que sabem que existem lugares mais evoluídos e melhores para se viver. Encontrei então mais um exilado na terra em que nasceu.
Foi uma tranqüila experiência e troca de informações. Me lembrei do filme sabrina, quando ela recebe uma viagem para voltar a Paris e diz a Lions, que ela pensava rejeita-la: "eu vou voando pra casa!". Casa, lar, pátria, terra onde temos felicidade.
Orrevua ma chérie!







