sábado, 29 de dezembro de 2007

Salve-se quem puder. Feliz passaporte novo!


Não adianta correr, seu cachorro de raça carrérrimo vai ter um piri-paque quando no alvorecer de 2008, a mundiça se reunir para o ritual dos morteiros.

É chegada mais uma vez a hora da passagem ritualística do tempo.

Vamos lá pensar por um momento como será esta passagem em paises de primeirrérrimo mundo?

Imagine os nórdicos comemorando a chegada de 2008. Vão se reunir em suas casas e bares super aquecidos e serem gratos entre família e amigos por mais um ano de alto índice de IDH. Tudo isso com índice de violência zero.

Parisienses vão beber champanhe, vão andar pelas ruas geladas até determinada hora, vendo as luzes de natal e depois de bêbados dividindo assuntos picantes com debate político.

Espanhóis vão beber vinho, chorar, se abraçar e se lamentar. Assim como italianos vão saudar 2008 com boa bebida e drama, depois claro de ver o Papa da sacada desejar suas bênçãos para Roma e os confins da terra.

Nova York vai se juntas na quinta avenida, ver a grande bola, contagem regressiva no telão. Uma cidade que se supera, merece comemorar sempre.

Na Austrália, calor do hemisfério sul bem desenvolvido. Show de fogos no opera house de Sidney e gente sorrindo pelas ruas. O sorriso dos australian@os me cativa. Sempre tenho a sensação de que eles dizem sorrindo: Sei que estamos longe de tudo, mas somos tão felizes aqui que nem precisamos de outro continente.

E claro, não poderia deixar de imaginar em quase surto que nas lajes cariocas, nas palafitas pernambucanas, nas canoas do amazonas ou nos prédios classe média espalhados por todo o Brasil, haverá aquele jeito brasileiro de comemorar algo novo com aspecto velho e já comprometido. Muita cerveja choca, muito coração de galinha. Pandeiro, gente suada, ginga, axé, funk, pré- carnaval. Nas praias do litoral, o espetáculo a parte se dará misturando, em um congraçamento único: macumbeiros, crentes e bandidos libertos pelo natal. A brasilidade assustadora em estado bruto, sem lapidação, festejando mais um ano na base do jeitinho, esquecendo a tristeza, antes que ela ouse se instalar e gerar consciência neste povo que escolhe a alienação.

Desejar feliz ano novo só mesmo estando na civilização. Aqui na sempre colônia provinciana, feliz ano novo é deboche com o tempo. Afinal o Brasil consegue parar o tempo, e fazer de cada nova folhinha do calendário uma repetição de sua incompetência como país, ainda que sejam diferentes os personagens desta mesma e tosca historia medíocre.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Zelite Christmas

Um tema convencional, festas de final de ano. Sim, por um momento até pensei que ia escapar deste clichê, pensei também que poderia repetir o texto do ano passado, já que pouca coisa muda, mas não, dizer que pouca coisa muda no Brasil é desmerecer a criatividade do nosso povo brejeiro, não é mesmo minha gente endividada?
É o extermínio do natal das “zelites”. O décimo terceiro já ocupou o lugar do menino Jesus na manjedoura, de tão esperado. Dívidas, juros, poder da classe média indo pelo ralo a baixo, pisca- pisca de varanda, fazem renascer o comércio de rua cheio de artigos chineses de décima mão e decreta a falência agonizante dos shoppings.
Falta pouco, minhas previsões estilo mãe Diná anunciam que breve teremos o caos dos shoppings, e vamos fazer fila para comprar cenoura e rabanete na feira popular do PT, isso quando estas leguminosas estiverem à disposição. O comércio de rua anuncia que nunca vendeu tanto em dez anos, já as lojas de shopping pela primeira vez em 10 anos, são obrigadas a deixarem seus vendedores sentados.
Quem nunca vai quebrar é quem vende pra mundiça, esta classe única e tão brasileira que parece se firmar a cada ano como produto nacional e patrimônio do país. Casas Bahia, Pernambucanas, derivados de 25 de março, continuam fazendo a alegria do Saara mundiçal. Só que desta vez as bronzeadas da laje terão que disputar a oferta relâmpago às tapas, com as ex patys bem penteadas da classe média neopobre.
Apesar da CPMF ter acabado e seu talão de cheque ser apenas uma lembrança vintage, continuo desejando a você um natal no ventilador de teto, já que o ar condicionado também caiu no desuso. Espero que este ano de 2008 eu consiga continuar a minha terapia no blog, e partilhemos juntos o desgosto, de não sermos burros no Brasil e de sabermos conjugar o verbo Ser em todos os tempos verbais.

Go back pro meu aconchego...


Ano quase novo, blog novo, acidez velha e bem fermentada. Para não entrar no diazepan com lexotan e mais duas pedras de gelo, eu vou retomar minha atividade blogueira. Apesar de não ser Diogo Mainardi, tive também minhas batalhas no meio animal. E entre corujas, jaguatiricas e lulas, sobrevivi sem sujar mais o meu nome no serasa.
O mundo virtual clama por minha acidez, eu não sou nada humilde mesmo, não recebo bolsa família e nem faço churrasco na laje, por isso estou aqui, povo meu...