quinta-feira, 24 de abril de 2008

Gente Humilde

A terra tremeu, mas o chão não se abriu, pelo menos por enquanto. Para engolir todas as mazelas brasileiras, ah se fosse possível... Sinto que foi um sinal, a terra treme manifestando a impaciência da natureza diante das mesmas brasilidades. De forma inocente, e quase romântica eu diria, aguardei o desfecho oficial do inquérito para poder escrever a respeito do circo de horror, mau gosto popular e jornalismo barato que se montou em torno da tragédia com Isabella Nardoni e sua família. Mas o tremor de terra moveu minhas placas tectônicas, e não pude evitar escrever sobre tudo isso. Neste “tudo isso” está não somente o terremoto que inclui o Brasil no primeiro mundo por alguns segundos, ou o caso Isabella sendo explorado pela imprensa, show-missa de padre e o que mais vier, mas inclui toda a sociedade brasileira se manifestando da forma medíocre que lhe é peculiar.

É incrível como este povo tem tempo pra perder. Tudo nesta terra vira novela, mesmo que o sangue seja real. Aliás se for, melhor ainda pra esta mundiça desprovida de senso crítico.
Hoje acompanhando o trajeto do carro do pai de um dos indiciados pelo crime, pude ver em cena filmada por helicóptero, pessoas perseguindo o veículo com bicicletas. E olhem que assisti a isso por acaso total! Como se um imã me levasse a estas cenas que retratam o absurdo cotidiano do Brasil.
As pessoas ficam na porta das casas dos acusados, chutando, agredindo, gritando palavras de ordem. Mas a Brasília ninguém tem coragem de ir. Seria mesmo sede de justiça? Se fosse desejo o caso, bastaria ficar em casa, acompanhar o que for possível pela tv e jornais, gerar senso critico e indignação e no máximo comentar isso na fila do supermercado. Pois o ministério é público e teoricamente, na civilização, age em nome do povo.

Pra mim, sem medo de colocar o povo na arquibancada dos réus, a maioria vai pra porta dos envolvidos no caso gritar em nome de suas frustrações. Aqui a violência se justifica pela conta bancaria?

Estes, dias ouvi uma pessoa dizendo que não entendia o crime pois os indiciados, eram ricos e tinham educação. Nestas horas a humildade brasileira cai por terra e o brasileiro mostra que mede as pessoas mesmo por sua conta bancaria.
Eu disse a pessoa que a maldade não escolhe conta no banco. Certamente as pessoas não vão além para entender que se eles podem ser maus sendo classe média baixa, os pobres podem ser maus independente da pobreza. Logo, ser violento é índole e não falta de oportunidade.

A demagogia brasileira é tão simplória e fácil de destruir!

Mais uma vez se confirma que a moral deste povo é hipócrita, e as palavras de ordem são canções de Caricato Buarque. Adaptação minha: - joga pedra na geni, gente humilde.
De pedra em pedra o Brasil contrói seus castelos a serem destruidos nas desilusões desfeitas. É o único povo que chuta cachorro morto!

Bendito tremor de terra, para quem sabe ler as entrelinhas, é um aviso para deixarem de explorar as meãs noticias, para voltarem pra casa cuidar das suas privadas, que segundo frase celebre do deputado Clodovil Hernandes, todos têm em casa. Até a natureza quis avisar que o Brasil, já brincou demais de vítima, de povo privilegiado que pode perder tempo na escala evolutiva se dedicando a bobagens. Não estamos a salvo, somos apenas um país comum, que precisa encarar suas misérias. Deus não é brasileiro, nem poderia.



quarta-feira, 9 de abril de 2008

Mainardiando

Meus olhos estão cansados, cheios das olheiras causadas pelo Brasil. Expressão máxima do cansaço de termos sempre as mesmas tragédias, enchentes, crimes, epidemias, politicagens, cpis e as mesmas explorações da imprensa sobre tudo isso. Hoje vou mainardiar é tentar criticar esta imprensa, sem ser explicita pelos meus motivos. Quem for bom leitor entenderá. Meu desejo de não ser explicita sobre o que me revolta, é exatamente não fazer de tema o que tem sido exaustivamente, de forma cruel, explorado.

Em tempos onde se urge por uma imprensa livre, que saiba sair do covil de favores partidários, da peixada televisiva, para exercer seu papel de opinião publica nacional, vemos, ao contrário, uma imprensa oportunista que estica ao máximo qualquer fato tragédia. Que fala e escreve do mesmo jeito, como se ainda fosse necessária a apologia socialista contra a ditadura, imprensa paralisada na utópica anistia paralisada, diante de um Brasil que só fez decair socialmente e culturalmente.

Será que vamos precisar esperar que todos os ex- refugiados se aposentem para que se tenha uma renovação da imprensa? E que renovação seria essa? Se as novas gerações se ocupam em minoria de seguir os velhos caciques ditadores de idéias vermelhas e a maioria se ocupa da vida das celebridades, de vender revistas podres semanais sobre o cotidiano de gen0te que não tem o que dizer. Artistas sem arte, cantores sem afinação, músicos sem partitura, pintores sem criação.

Só uma coisa evoluiu no Brasil, os cadernos policiais. Estes além de terem sempre historias pra contar, converteram parte da imprensa televisiva e do horário das emissoras em programas que são de igual forma, vampiros atrás de sangue.

O que se vê no caso da menina morta em são Paulo. É mais do que cobertura jornalística. E penso que não chega, nem de longe, a expressão de revolta do povo. Brasileiro é piegas e covarde. Por menos que isso a algumas semanas, argentinos saíram as ruas em mais um panelaço espontâneo e sem bandeiras políticas, nada maior do que a cidadania, a noção de que seus direitos estão sendo usurpados.

Onde está a imprensa brasileira? Correndo atrás das tragédias para um povo que se conforta na sua pieguice diante da tragédia alheia que faz pensar que todos são socialistas no sofrimento inútil. Esta é a pequena mentalidade brasileira que se reflete na sua informação.

Eu estou cansada. Quero conhecer o fatos, quero a verdade. Porém devo reconhecer que minhas olheiras precisam de compressas geladas, pois nem sempre é engraçado encarar o que este país é e jamais será. Dá vergonha de ver que tem gente que precisa explorar noticias que não existem, sobre fatos chocantes e estagnados de novidades para poder ganhar sua grana do mês e gastar em botox.





quarta-feira, 26 de março de 2008

Reza forte

Na América é assim, um político tem algo a dizer sobre sua vida e conduta particular, se quiser ser eleito e permanecer no cargo deve provar coerencia. É de bom que seja religioso e também bem casado, fiel, pagador dos seus impostos e um sujeito confiável. Apesar da moda politicamente correta, na hora de eleger o povo americano prefere a segurança do comportamento coerente. Nos EUA, o cidadão de bem não virou uma caricatura a ser ridicularizada pela esquerda. Aliás a comunalha lá não tem muita força, é bem oprimida não só pelo capital, mas pala boa caça as bruxas que o país soube fazer no tempo certo.

São inúmeros os casos de políticos que renunciam porque sua vida particular e suas atitudes como cidadão diante de deveres, deixam um rastro sujo e a vergonha na cara os impele a isso diante de uma opinião publica forte e uma imprensa livre como acontece nos EUA.

Não vou citar o caso do governador de NY e nem do que assumiu em seu lugar já confessando previamente seus erros e se colocando de forma contida diante do cargo que vai ocupar. Quero chegar em outro ponto com tudo isso.

Lembrei-me também do Japão, onde a vergonha da honra manchada leva até ao suicídio.

Comparando com o Brasil, terra de todo a espécie de cinismo e hipocrisia, os políticos aqui podem deitar e rolar. Financiarem prostituição ilegal, fazerem conchavos com caixa 2, venderem a mãe, o estado, o cargo. Podem trair e promover suas amantes, a musas. Aqui tudo isso se perdoa pois o povo considera que nada disso ofende a conduta do político na hora de agir como representante de eleitores. Isso porque seus eleitores fazem o mesmo e até pior. Este cinismo é encarado pelos pseudo- intelectuais, da ordinária cultura brasileira, como uma liberação do povo, uma não hipocrisia.

O Brasil conseguiu denegrir a liberdade e até quem diria, a palavra que dá sentido a um dos maiores adjetivos deste povo, ser hipócrita.

Ser vulgar e aprovar a safadeza é a manifestação da ausência de pecado do lado de baixo do equador. Apenas um pecado aqui não será perdoado, o ateísmo. O político brasileiro, que não deve nada a ninguém é ainda ganha, além de favorecer sua existência “gelatinosamente” fácil, estará automaticamente absolvido se fizer choros arrependidos em nome de deus, falar em deus, dizer que acredita em deus.

Um político ateu está execrado nesta terra de misticismo exagerado e espiritualidade nula.

O cara acredita em deus, mesmo que seja numa versão de deus um tanto quanto incoerente como é o deus do PT. Não ser ateu e ter licença para depois agir como diabo. Esta é a maior exigência brasileira aos seus políticos. E deixa que a vida particular dos mesmos, fique no particular. Já se tem BBB e novela.


Combater a dengue brincando

Eu queria ser prefeita por dois dias, sem direito a ressurreição no terceiro dia, pois certamente depois de dois dias iam me aniquilar. Mas eu ia limpar a cidade do Rio (hell) de janeiro, da mesma forma que faria como governadora, ou como presidenta. Implantaria a lei “tolerância zero” e colocaria este povo no cabresto pela força, que a ignorância deve obedecer. Quem não gostasse, que viesse me pegar!

Somente muito tiro bem dado, muita porrada, proibição contém o estrago promovido pela ignorância brasileira, que vai muito além de eleger Collor, reeleger lula.

É dramático pensar e viver no meio desta selva de macacos, sem ofender os símios. De fato fazem parte desta classe de primatas que ofendem a espécie humana e de todos os macacos, pois não compreendem o horror de atraso em que vivem e ainda ousam sentir orgulho disso.

Estas semanas a selvageria brasileira esta visitando o cotidiano carioca através da dengue. Eu deveria atualizar este blog todos os dias com a capacidade de me revoltar com o que a cada hora me chega de “novidade” sobre a epidemia.

Hoje recebi a noticia de mais uma morte por dengue hemorrágica, e mais uma vez minha mentalidade de primeiro mundo se manifestou e a ira tomou conta de mim. Pena sermos tão poucos e oprimidos pela mundiça. Esta hora por menos que isso, argentinos se revoltam, enquanto na cidade do rio de janeiro o prefeito se esconde, a mundiça toma banho na caixa d’água, e os emergentes deixam suas piscinas podres como berçários de larvas.

E ninguém faz nada. Tudo bem, a brama não suspendeu a propagada com zeca pagodinho enaltecendo o jeitinho brasileiro. Claudia leite não vai adiar o lançamento do seu cd. O bbb não deixou de fazer festa e este ano teremos olimpíadas. O comportamento mais nojento deste povo é o orgulho da sua mediocridade. Esta capacidade de brasileiro sorrir em meio aos sofrimentos não é esta superação que tanto querem nos vender desde que crescemos nesta bosta de paiseco, é de fato o sonso temperamento deste povo que prefere se alienar a por a mão no problema para resolvê-lo. Isso eu sei de cansar, isso aqueles poucos oprimidos reais que pensam como eu, também sabem de cansar.

Mas vivemos agora também com nossa vida sendo ameaçada pelo mosquito, que consegue ser uma forma de vida mais organizada e inteligente que o brasileiro. Consegue se aproveitar do jeitinho malemolente e indolente deste povo para desenvolver sua espécie.

As vendas de raquetes eletrificadas a pilha para matar insetos, aumentou nas lojas e camelódromos. É a forma idiota do carioca vencer a dengue, passar o dia brincando de Guga raquetando os mosquitos, enquanto os berçários não param de produzir mosquitinhos.

Estou começando a torcer pelos mosquitos, e pensar que deveria haver uma forma tão simples como a de evitar que eles nasçam, para evitar que esta mundiça se prolifere mais, garantindo não apenas dengue para muitos e muitos anos, mas a manutenção desta ignorância doentia, que não tem cura. Quero um repelente capaz de me repelir mosquitos e esta cidade imunda.




Raquete eletrica com a qual a denque será eliminada do Rio de Janeiro

quarta-feira, 5 de março de 2008

esFARCqueia mulata, esFARCqueia...to esFARCquiando... to esFARCquiando...

Na América latina, até mesmo uma ameaça de quase guerra se torna uma catimba futebolística, uma novela com representantes de nome composto e muito drama.

Depois de um começo de semana agitado, que incluiu o continente no cosmo universal, parece que hoje, quarta feira 5/03/2008, a OEA conseguiu fazer com que os ânimos de Equador e Colômbia se acalmassem diante dos flashs. Haja chá de coca!

Representantes das ONGs brasileiras engavetaram os projetos de passeatas a favor da paz, esperando uma nova oportunidade chavista de se sentirem um pouco como os cidadãos americanos, contra a guerra no Iraque. Contra alguma coisa! Podendo manifestar sua participação consciente no conflito. Estou em gargalhadas pela mediocridade latino- americana, mas no puedo deixar de confessar que o fim deste clima de quase porrada, me dá uma frustração como um espectador de Big Brother que depois do fim do programa se pergunta o que vai fará da vida.

Velha história, pobre quando ganha atenção exagera!

E fato que toda a soberania deve ser respeitada e nenhum país pode sair invadindo o território do outro por qualquer motivo. Sim, o Equadro é um país, eu o reconheço pois não faz fronteira com o Brasil, tenho esperanças com o Equadror.

Mas as FARC respeitaram a soberania do Equador? A impressão que temos a muitos km de distância da Amazônia (graças a Deus!) é de que nas fronteiras da mata entra e sai quem quer. É igual...ah você sabe.

O ato da Colômbia contra a guerrilha terrorista das FARC, que combate e ameaça a segurança e democracia no país a 30 anos, tomou um tamanho maior do que se esperava. O presidente do Equador hoje totalmente inflamado, dizia que foram encontrados corpos no seu território, em tom alarmado de voz, parecendo um personagem de Maria do bairro. Só faltou dizer: corpos de crianças inocentes que passeavam no jardim. Aqui tudo tem este tom de novela regada a comida pesada. Teve até o patriarca dado como morto se levantando para reclamar os direitos da família e acusar os inimigos. Fidelito não perdeu o fôlego para dizer que a culpa é da conspiração Yank. Estou pensando que na lápide de Fidel, vai estar escrito: “Me voy, pero la culpa eres de la conspiracion Ianque”.

Apesar da aparente paz promovida em reunião na OEA, o que fica ainda sem resposta é o que será feito das FARC? Por que o presidente Mollusco não se pronunciou contra as FARC dando maior ênfase ao ato colombiano do que ao motivo deste ato, tão ou mais escandaloso para a América do Sul? O que será feito dos reféns das FARC? E Hugo Chavez, e suas tropas com tanques na fronteira da Colômbia? Aliás, existe vida depois de Hugo Chavez?! A barriga da Shakira é conseguida apenas com dança do ventre?

A demagogia esquerdista mais uma vez toma conta da América do sul. O ministro Celso Amorim disse que os EUA não deveriam e nem devem se meter, pois isso é um assunto da América do sul em primeiro plano e depois América latina. Os EUA deveriam mesmo dizer: não vamos domesticar ninguém! Entendendo a novela, se os EUA apóiam a colômbia no combate aos bandidos das FARC, quem faz trato com bandido?

Hoje via um debate na TV e um esquerdopata sempre vindo com seus relativismos, tratou as FARC como se fosse um grupo a caminho da legalidade política. Como comentei em um tópico da comunidade comunistas caricatos, é muito realismo fantástico, é muita saramandaia. E depois desta paz “harmônica” respiram aliviados mais uma vez os que têm o rabo preso na selva amazônica. Ninguém mais vai falar dos documentos encontrados pela Colômbia, citados por Uribe? Chavez manda dizer que se trata de mentira. E quem vai provar, o Kiko?!

Eu apoio em meio a esta bagunça oficial e a este desvio de foco sobre o assunto, tudo que combata as FARC e seus colaboradores. Nisso estou com Bush!

Mais uma vez sou obrigada por ética a ficar do lado dos EUA. E a compreender como é miserável é a política latino americana cheia de filhotes de Fidel. Imaginem o que não foi dito nas aulas de história Brasil a fora durantes estes dias em? Muitas perguntas, improvidosos de respostas. E ainda faltam 700 reféns em poder das FARC.

Que Dios los proteja.



Invade meu território...

...esFARCqueia-me!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Cuba libre

Depois de 49 anos chupando o sangue do estado cubano, dos recursos de seu povo, Fidel castro renuncia a presidência ilegítima de cuba, na tentativa de manter seu hermano no poder e sustentar a ditadura comunista no país.

Raul Castro provavelmente promoverá a abertura econômica, e fará de cuba uma mini china. Os comunistas de shopping já começam a se mobilizar pedindo uma transição democrática pacifica, como se todos fossem idiotas de acreditar nisso.

Depois de matar, roubar, oprimir, os ditadores comunistas chegam a conclusão que está faltando luxo em suas vidas e optam pelo sistema capitalista, ainda que politicamente ainda sejam marxistas.

A china não é livre e seus produtos são uma porcaria. O povo chines vive em opressão assim como na Coréia do norte e em Cuba continuará a ser até que esta porcaria caia de vez.

Nem mesmo Rússia está livre, uma vez que Putin e seu comando são ainda ideologicamente comunistas. O kremelin ainda atua na Rússia com força.

Não quero ser pessimista e nem sou, estou aproveitando o momento para comemorar esta pequena vitória. Quando Fider for pro colo do capeta, eu farei uma festa maior. Certamente vou me unir ao povo de Miami, o que cuba poderia ter sido se não fosse a revolucion para la mierda.

Espero que os EUA aproveitem o enfraquecimento político de cuba com Raul no poder e dêem logo fim a esta agonia.

Oremos: Deus de poder e bondade, derrube as forças do mal escondidas das obras do comunismo, com as quais seus filhos de luz tem se confrontado em mais de um século. Eis a hora que clamamos neste evento por uma real libertação. Que caiam todos os que atentam contra a liberdade. Amém.



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Ainda há tempo

Esta semana relembrei aquilo que nunca esqueci, que o rio de janeiro é uma porcaria de cidade insegura, um wester sem charme e nem heróis. Vivi uma experiência de assalto em família, algo que deixou a mim e a outros parentes e amigos em angustia profunda, pois pensávamos que os bandidos pudessem ter levado mais que dinheiro e celular.

Porém tudo correu bem, o bem que julgamos ser “o bem” nesta cidade caótica de rio de janeiro. Aqui nossa necessidade de sobreviver esperando a chance de morar em um lugar decente, longe desta terra cuspida por Carlota Joaquina, se manifesta em tentarmos esquecer que vivemos em uma guerrilha urbana patrocinada pelo tráfico. Dissimulamos o sofrimento com aquelas frases pseudo- otimistas “que bom que lhe poupou a vida!”

Eis a nossa condição de cidadãos meia boca de um país, meia boca. Que bem pode haver de fato ao ser roubado por marginais armados ou usuários de cartões corporativos?

Na verdade, o estresse que vivemos por morar em uma cidade como o rio de janeiro, já é uma morte lenta e uma violência culposa. “Ainda bem não aconteceu coisa pior com meu parente assaltado” assim diz a minha gratidão agonizante. Mas que viver bem e aliviado, para poder dizer que este Bem tem mesmo valor é sentido, vai muito além de sobreviver a um assalto que na menor das hipóteses traumatiza, causa síndrome do pânico e humilha seus impostos pagos. É mesmo muito tolerante o caráter brasileiro. E esta tolerância é vadia, daquelas de bordel, onde o povo se vender por pouco, promovendo a si mesmo uma sub existência.

Paralelo a isso eis que encontro em uma comunidade de cariocas exaustos, um vídeo documentário de 1936, que mostra, a cores, o rio de janeiro dos anos 30. Quase chorei ao ver as pedras portuguesas, tão limpas que o branco saltava a tela. Ausência de pivetes, flanelinhas, marginais, sujeira, e vandalismo. O que será que aconteceu com o rio? Seria simplório eu dizer novamente, que o rio de janeiro se prejudicou na transição da capital para Brasília. O Brasil se prejudicou, o sudeste se prejudicou, hoje vejo que vai muito além do carioquismo. Mas não há, também por outro lado, nada que me prove que seria diferente ter a capital aqui. O Brasil está praguejado, e a decadência social seria inevitável.

Preciso comentar no youtube este vídeo, pois lá encontrei o comentário de uma pessoa que termina dizendo que “ainda há tempo” referindo-se ao rio de janeiro, ainda em tempo de voltar a ser o que era. Vou comentar pois não agüento este absurdo cretino e brasilóide. Direi a ela que ainda há tempo de sair do estado e logo depois do Brasil. Sacode a sandália e não leva nem a terra daqui, se for capaz!